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Cyndi Lauper fala sobre a magia de sua turnê de despedida e sobre construir uma carreira expressando quem é

Antes do especial da CBS “A GRAMMY Salute to Cyndi Lauper”, que será exibido em 5 de outubro, a estrela do rock relembra alguns dos momentos mais importantes de sua carreira e explica como eles a ajudaram a permanecer fiel a si mesma.

Cyndi Lauper está acostumada a alcançar grandes marcos. Além de ser uma das mulheres mais influentes do rock, ela venceu dois prêmios GRAMMY, incluindo o de Artista Revelação, recebeu um Emmy por sua atuação em “Mad About You”, produziu o musical “Kinky Boots”, vencedor do Tony, e tornou-se uma importante defensora da comunidade LGBTQIA+ e das mulheres em todo o mundo. Este ano tem sido marcado pela celebração de tudo o que ela conquistou.

Em agosto, Lauper encerrou a “Girls Just Want to Have Fun Farewell Tour”, sua turnê mundial de despedida com 68 apresentações, realizando dois shows repletos de convidados no icônico Hollywood Bowl. Em 5 de outubro, os fãs poderão vivenciar essa noite por meio do especial “A GRAMMY Salute to Cyndi Lauper”, que será exibido pela CBS às 20h, nos horários das costas Leste e Oeste dos Estados Unidos, e transmitido pelo Paramount+.

O especial, com duas horas de duração, apresentará performances de Lauper ao lado de Joni Mitchell, Cher, John Legend, SZA e outros artistas. Também contará com homenagens em vídeo de Brandi Carlile, Ken Ehrlich e Harvey Mason Jr.

Os shows no Hollywood Bowl foram apenas o começo de um período marcante para Lauper. Algumas semanas depois de “A GRAMMY Salute”, seu novo musical, “Working Girl”, baseado no filme de 1988, estreará no Mandell Weiss Theatre, no conhecido La Jolla Playhouse, em San Diego. Apenas 11 dias depois, ela será incluída no Rock and Roll Hall of Fame, um momento pelo qual seus fãs fazem campanha há muitos anos.


É uma sequência de acontecimentos adequada à trajetória de Lauper, que vendeu 50 milhões de discos ao longo de seus quase 50 anos de carreira. Seu legado, no entanto, vai muito além de sua discografia.

Em 2023, ela lançou o documentário “Let the Canary Sing”. A produção, assim como a série de televisão “Still So Unusual”, de 2013, e sua autobiografia, publicada em 2012, apresentou diferentes demonstrações de sua coragem e vulnerabilidade.

Lauper também mantém há muito tempo uma forte dedicação ao ativismo. Ela fundou a organização sem fins lucrativos True Colors United, criada para ajudar a combater a falta de moradia entre jovens, e o Girls Just Want to Have Fundamental Rights Fund, voltado ao apoio aos direitos e à saúde das mulheres. O nome do fundo faz uma referência inteligente ao seu sucesso mais conhecido.

Embora talvez não volte a fazer turnês, há informações de que o catálogo musical de Lauper será transformado em uma experiência teatral imersiva, consolidando ainda mais sua influência. Como ela declarou na época do lançamento de seu documentário: “Eu ainda não morri”.

Antes de “A GRAMMY Salute to Cyndi Lauper”, a artista refletiu sobre sua carreira em uma entrevista realizada por e-mail. A seguir, Lauper fala sobre o especial da CBS, sua turnê de despedida e alguns dos momentos mais importantes de sua trajetória nos últimos anos.

Sua turnê de despedida foi recebida com muito carinho. O que você acredita ter conquistado com ela que não havia conseguido em turnês anteriores?

Eu sempre quis realizar uma grande turnê em arenas, com os cenários e a iluminação organizados de uma determinada maneira e com a possibilidade de colaborar com outros artistas, tanto musical quanto visualmente. Encontrei um grande parceiro em Brian Burke. Ele fez minha visão ganhar vida.

Meu único objetivo era celebrar a música, os fãs e meus amigos. Tenho muita sorte de ter grandes amigos que, além de talentosos, são muito generosos com seu tempo.

“A GRAMMY Salute to Cyndi Lauper: Live From the Hollywood Bowl” registrou os dois últimos shows. Quais foram os momentos mais marcantes das filmagens? E qual é, em sua opinião, o maior benefício de transmitir um espetáculo como esse, tanto para quem conseguiu comparecer quanto para quem não esteve presente?

O fato de estar sendo filmado não me deixou nervosa, mas acrescenta uma camada que acaba tirando você um pouco daquele momento. Ainda assim, foi uma experiência maravilhosa.

Tivemos uma equipe incrível trabalhando nos bastidores e, novamente, tenho muita sorte de contar com grandes amigos que subiram ao palco comigo.

Houve muitos lugares aos quais não conseguimos levar a turnê de despedida. Por isso, espero que essa transmissão possa compensar um pouco essa ausência. Quero compartilhar esse momento com o maior número possível de pessoas.

O “GRAMMY Salute” é um dos muitos marcos que você alcançou nos últimos anos, incluindo o documentário de 2023, “Cyndi Lauper: Let the Canary Sing”. Embora você estivesse hesitante no início, quais resultados positivos e inesperados surgiram ao compartilhar sua história dessa maneira?

É outra forma de contar essas histórias. Acredito que seja possível alcançar um público maior por meio do cinema e das plataformas de streaming.

Muitas pessoas comentaram: “Nossa, eu não sabia disso sobre você” ou “Eu não imaginava que você tivesse passado por isso”. Sempre espero que as pessoas possam conhecer aquilo que vivi e utilizar essas experiências como aprendizado ou inspiração para suas próprias vidas.

Agora, seu musical “Working Girl” finalmente chegará aos palcos. Quais foram os maiores desafios na composição das músicas? O longo período de desenvolvimento ajudou ou tornou o trabalho mais difícil?

Os prazos sempre são um desafio. Você não consegue simplesmente tirar uma música do nada, mas também não pode ficar esperando até que a inspiração apareça.

O tempo é quase irrelevante quando você está criando e compondo. É um processo muito intuitivo, e você precisa seguir seus instintos. Essa parte do processo não combina muito bem com prazos estabelecidos.

Espero apenas que as pessoas gostem da obra e consigam se identificar com ela. Existem muitas questões acontecendo atualmente que já estavam acontecendo há 40 anos. Isso é uma droga.

Sua tão aguardada inclusão no Rock and Roll Hall of Fame acontecerá pouco depois da estreia de “Working Girl”. Seus fãs fizeram campanha por esse momento durante anos. O que essa homenagem significa para você pessoalmente?

É sempre bom receber reconhecimento por tantos anos de trabalho. Sou grata aos fãs por acreditarem em mim e por me apoiarem. Essa conexão com eles é realmente especial.

Poder me expressar, tanto por meio da música quanto social e politicamente, é o que importa para mim. Também é importante poder usar minha visibilidade para tentar contribuir para tornar o mundo um lugar um pouco melhor.

Quais são algumas de suas lembranças mais especiais relacionadas ao ativismo durante sua carreira?

Acredito que seja importante que aqueles de nós que possuem visibilidade utilizem essa posição para chamar atenção para injustiças e desigualdades, mesmo que isso signifique enfrentar críticas.

Você precisa ser fiel a quem é. Nunca fui uma pessoa que simplesmente ficava parada e deixava alguma coisa passar quando ela não parecia correta para mim. Acabei afastando algumas pessoas ao longo do caminho, mas não posso me preocupar com isso.

Muitos dos meus fãs são conservadores e vivem no interior dos Estados Unidos. Vejo comentários de pessoas dizendo que eu deveria ficar quieta e apenas cantar. Tudo bem, elas têm o direito de dizer isso. Mas isso não vai me silenciar.

Você também foi muito sincera em sua autobiografia de 2012. Alguns artistas descrevem a escrita de uma autobiografia como algo terapêutico, enquanto outros consideram o processo traumatizante. Para você, quais foram os aspectos positivos e os momentos mais difíceis de colocar sua história no papel?

Foi tranquilo. Revelar alguns segredos familiares foi um pouco preocupante, especialmente porque, na mesma época, eu também estava participando da série de televisão “Still So Unusual”. Eu me preocupava com a forma como minha mãe seria afetada.

Ainda assim, fui fiel a mim mesma. Contei as histórias que precisavam ser contadas.

A indústria da música não é glamourosa. Você precisa lutar muito por si mesma e por sua visão, e algumas vezes isso significa recorrer à Justiça. Outras vezes, significa deixar alguns homens misóginos desconfortáveis.

Também existem coisas realmente maravilhosas que acontecem ao longo dessa jornada: os lugares que você conhece, as músicas que pode criar e os amigos que encontra pelo caminho.

Li sobre sua rotina diária, e ela é inspiradora, especialmente pela disciplina e pela resistência. Quais são os elementos essenciais de sua vida cotidiana que a ajudaram a continuar prosperando depois de quase 50 anos de carreira?

Você precisa levar seu trabalho a sério, seja motorista de ônibus, jogador de basquete ou cantora.

Para conseguir atuar no seu mais alto nível, é necessário ter disciplina. Para cantar, preciso manter meu instrumento saudável. Para conseguir correr pelo local do show e rolar pelo palco, preciso manter meu corpo forte e flexível.

É quase como fazer uma engenharia reversa. Isso realmente se torna algo natural. Você alguma vez questiona se deve escovar os dentes?

Você está a apenas uma conquista de alcançar um EGOT. Tem interesse em participar de algum projeto que possa colocá-la na disputa por um Oscar?

O Oscar não é o objetivo, mas, naturalmente, seria algo muito bom. Estou sempre aberta a projetos interessantes.

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