Pular para o conteúdo principal

Cyndi Lauper transforma Las Vegas em "Cyn City" e prova que ainda domina os palcos aos 72 anos


A primeira residência de Cyndi Lauper em Las Vegas já começou cercada de expectativa e nostalgia. Intitulado Cyndi Lauper: Live in Las Vegas, o espetáculo ocupa o palco do The Colosseum at Caesars Palace entre os dias 24 de abril e 2 de maio de 2026 e representa um novo capítulo na trajetória da artista após o encerramento da Girls Just Wanna Have Fun Farewell Tour. Embora tenha se despedido das grandes turnês, Lauper deixou claro que não pretende abandonar os palcos. A temporada em Las Vegas confirma exatamente isso.

Anunciada pela própria cantora como uma oportunidade para os fãs celebrarem sua carreira pela última vez dentro do formato da turnê de despedida, a residência rapidamente transformou a cidade na chamada "Cyn City". A proposta era levar para Las Vegas toda a identidade visual, a energia e a direção artística desenvolvidas ao longo da Farewell Tour, agora adaptadas ao palco do Colosseum.

Quem esperava um espetáculo completamente diferente encontrou um show bastante fiel ao apresentado durante a turnê mundial. A estrutura cênica, as projeções, os figurinos e praticamente todo o repertório foram preservados. A principal novidade ficou por conta da abertura. Cyndi surge no palco utilizando o grande adorno criado para a campanha de divulgação da residência e faz uma entrada ainda mais teatral graças aos elevadores motorizados do palco do Colosseum, criando um impacto visual que não existia nos shows anteriores.

O palco do Caesars Palace ajuda a ampliar essa experiência. Considerado um dos teatros mais modernos do mundo, o Colosseum conta com uma enorme tela de LED, sistema de som de alta potência e mecanismos que permitem movimentações cenográficas complexas. A direção criativa de Brian Burke explora toda essa tecnologia sem perder a identidade artística construída ao longo da turnê. As projeções dialogam com a estética pop de Cyndi Lauper, alternando referências aos anos 1980, animações, paisagens urbanas e elementos inspirados em artistas visuais que sempre influenciaram seu trabalho.


Musicalmente, o espetáculo funciona como uma retrospectiva de mais de quatro décadas de carreira. O repertório reúne sucessos como "Girls Just Want to Have Fun", "Time After Time", "True Colors", "She Bop", "I Drove All Night", "Change of Heart" e "Money Changes Everything", além de canções queridas pelos fãs, como "Sally's Pigeons", "Who Let in the Rain" e "Sisters of Avalon". Também permanecem os momentos acústicos e os novos arranjos apresentados na Farewell Tour, que conferem uma atmosfera mais intimista a parte da apresentação.

Um dos aspectos mais celebrados da residência é a banda que acompanha Lauper. A cantora realizou um desejo antigo ao reunir uma formação composta majoritariamente por mulheres. A guitarrista Alex Nolan, a percussionista Mona Tavakoli, a baixista Ganessa James, a multi-instrumentista Hannah Winkler, a baterista Giulliana Merello e a veterana backing vocal Elaine Caswell dividem o palco com Neal Coomer, único integrante masculino do grupo. Em diversos momentos, Cyndi deixa que cada integrante tenha espaço para improvisos e solos, reforçando o caráter coletivo do espetáculo.

A estreia também ficou marcada por um episódio que rapidamente repercutiu nas redes sociais. Durante a introdução de "Sally's Pigeons", um espectador interrompeu um dos relatos pessoais da cantora. Sem perder o humor característico, Lauper respondeu de forma direta, lembrando que é "do Brooklyn" e arrancando aplausos imediatos da plateia. O momento viralizou e acabou se tornando um dos assuntos mais comentados do primeiro fim de semana da residência.

Apesar desse episódio, a repercussão da estreia foi amplamente positiva. A crítica destacou que, aos 72 anos, Cyndi Lauper continua entregando uma apresentação vigorosa, com voz segura, forte presença de palco e uma conexão espontânea com o público. O jornal Las Vegas Weekly elogiou especialmente sua capacidade de equilibrar humor, emoção e autenticidade, ressaltando que a artista permanece fiel à personalidade irreverente que a transformou em um dos maiores nomes da música pop.

Outro ponto frequentemente destacado foi a direção artística do espetáculo. As trocas de figurino assinadas por Christian Siriano, as referências à arte contemporânea e o uso criativo das projeções reforçam que a residência não busca apenas reproduzir um show de sucessos, mas criar uma experiência visual coerente com toda a trajetória de Lauper. Ao longo da apresentação, a cantora faz referências a artistas como Yayoi Kusama e Sonia Delaunay, além de reafirmar seu apoio histórico à comunidade LGBTQIA+, especialmente durante a execução de "True Colors".

Embora muitos fãs tenham observado que a residência mantém praticamente o mesmo formato da Farewell Tour, isso parece ter sido uma escolha consciente. Em vez de reinventar completamente o espetáculo, Lauper optou por preservar uma produção amplamente elogiada pela crítica internacional, oferecendo ao público que não conseguiu acompanhar a turnê uma última oportunidade de assistir ao show em sua forma mais completa.

Ao final das apresentações, a cantora fez questão de agradecer publicamente sua equipe, a banda, o diretor criativo Brian Burke, sua empresária Lisa Barbaris e todos os profissionais envolvidos na produção da residência. Em sua mensagem, destacou que sempre desejou apresentar um espetáculo que unisse música e artes visuais e afirmou que Las Vegas lhe proporcionou o espaço ideal para concretizar essa visão.

"Cyndi Lauper: Live in Las Vegas" demonstra que o fim das turnês não representa o encerramento da carreira da artista. Pelo contrário, a residência reafirma sua disposição em continuar criando, reinterpretando sua obra e celebrando uma trajetória marcada pela originalidade, pela liberdade artística e pela capacidade de emocionar diferentes gerações. Se a despedida foi das longas excursões internacionais, os palcos continuam sendo um lugar onde Cyndi Lauper ainda se sente completamente em casa.

Comentários