“Se você vai fazer algo novo”, diz Cyndi Lauper, vocalista do Blue Angel, “volte ao começo e crie a partir da base”. E foi exatamente isso que Lauper e o restante dessa banda de Nova York fizeram: John Turi, no saxofone e teclados; Arthur “Rockin’ A” Neilson, na guitarra; Johnny “Bullet” Morelli, na bateria; e Lee Brovitz, no baixo.
“Não chamamos isso de New Wave”, declara Neilson, que tem a aparência de um anúncio de Vitalis, “porque pegamos a energia básica do rock and roll e tentamos recuperar sons antigos, em vez das coisas novas e modernas.”
Blue Angel, o álbum homônimo do grupo lançado pela Polydor, foi produzido pelo veterano dos estúdios dos anos 1960 Roy Hale. O disco mistura músicas de rock com baladas em uma combinação interessante que remete a Brenda Lee e Duane Eddy, mas ainda assim soa atual.
Embora o single lançado recentemente pelo álbum seja “I Had a Love”, a faixa que está recebendo mais execução nas rádios é “Maybe He’ll Know”, uma música animada com uma melodia envolvente que destaca o impressionante alcance vocal de Lauper.
“Eu sou pequena”, brinca ela, “então tenho que cantar a partir dos meus dedos dos pés.”
Lauper e Turi, fundadores e compositores da banda, se conheceram em 1978.
“Nós escrevemos uma música na primeira vez que ficamos juntos”, conta Turi.
O fato de o grupo se chamar Blue Angel é importante para Lauper:
“Quando você é uma garota e tem uma voz potente, existem todos esses caras idiotas que chegam até você e dizem: ‘Vamos montar uma banda em torno de você! Você vai ser a estrela!’ Eu e John sempre quisemos uma banda.”
Logo, o grupo passou a tocar na cena de clubes de Nova York e a abrir shows para artistas tão diferentes entre si quanto Steve Forbert, Joe Jackson e The Ramones.
Nos shows, Lauper demonstra todo o seu talento vocal, enquanto exibe pouco daquela atitude sedutora e performática, de provocar o público a ficar de pé ou de joelhos, tão característica de muitas vocalistas femininas.
Embora sua dança frenética e suas poses provocantes mostrem que ela sabe se divertir e exagerar no palco tanto quanto qualquer outra artista, Lauper evita adotar uma personalidade cênica fixa. Em vez disso, prefere seguir seus próprios impulsos:
“Você está buscando uma emoção básica, visceral, então faz aquilo que vem de dentro.”
Christopher Connelly



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